domingo, 27 de setembro de 2009

Bom Conselho.




Ousa um bom conselho

Eu lhe dou de graça

Inútil dormi que a dor não passa

Espere sentado

Ou você se cansa

Está provado,quem espera nunca alcança

Venha meu amigo

Deixe esse regaço

Brinque com meu fogo

Venha se queimar

Faça como eu digo

Faça como eu faço

Aja duas vezes antes de pensar

Corra atrás do vento

Vim de não sei onde

Devagar é que não se vai longe

Eu semeio o vento da minha cidade

Vou para rua e bebo a tempestade.

obs:postado por Polianna Almeida

O Que Será (A Flor da Terra)-Chico Buarque



O que será que seráQue andam suspirando pelas alcovasQue andam sussurando em versos e trovasQue andam combinando no breu das tocasQue anda nas cabeças, anda nas bocasQue andam acendendo velas nos becosQue estão falando alto pelos botecosQue gritam nos mercados, que com certezaEstá na natureza, será que seráO que não tem certeza, nem nunca teráO que não tem conserto, nem nunca teráO que não tem tamanhoO que será que seráQue vive nas idéias desses amantesQue cantam os poetas mais delirantesQue juram os profetas embriagadosQue está na romaria dos mutiladosQue está na fantasia dos infelizesQue está no dia-a-dia das meretrizesNo plano dos bandidos, dos desvalidosEm todos os sentidos, será que seráO que não tem decéncia, nem nunca teráO que não tem censura, nem nunca teráO que não faz sentidoO que será que seráQue todos os avisos não vão evitarPorque todos os risos vão desafiarPorque todos os sinos irão repicarPorque todos os hinos irão consagrarE todos os meninos vão desembestarE todos os destinos irão se encontrarE o mesmo Padre Eterno que nunca foi láOlhando aquele inferno, vai abbençoarO que não tem governo, nem nunca teráO que não tem vergonha nem nunca teráO que não tem juízoobs
postado por:Ignês Fernandes

Cálice(Chico Buaruqe e Gilberto Gil)

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

postado por Nathália Cavalcanti